Elaborar um plano também é trabalho, e a qualidade de fazê-lo vem com a experiência. Não convém esperar que na primeira tentativa se consiga traçar perfeitamente todos os passos de cada objetivo, nem planejá-los habilmente no calendário. Especialmente se considerarmos que seus objetivos podem envolver competição, depender de outras pessoas ou resistir a descrição precisa (por exemplo, reforma ou resultados esportivos). Nesses casos é improvável que o primeiro plano seja ideal. Pense que está pintando um quadro — e agora é apenas um esboço. A próxima abordagem à tela será melhor: você já terá mais experiência e poderá desenhar algo mais concreto.
Contudo, há uma boa metodologia que posso recomendar. Emprestei-a de Daniel Kahneman, que a descreveu brevemente no livro Rápido e devagar: duas formas de pensar e a chamou de «visão externa». O princípio é extremamente simples: se planeja algo em que não é especialista, pergunte sobre todos os matizes a quem entende do assunto ou pelo menos já passou por algo similar.
No livro Kahneman descreve a situação em que, com colegas, escrevia um manual de psicologia destinado a instituições governamentais. Reservaram um prazo extremamente curto e irreal para redigir o material — um ou dois anos. No fim o processo se arrastou por mais de cinco anos e, para ser preciso, a redação e publicação levaram cerca de oito anos. Ironicamente, Kahneman consultou quem já tinha experiência similar, e eles de imediato previram exatamente esse prazo tão longo, cortando na raiz todo seu otimismo inicial.
De forma análoga, ao planejar um assunto importante — digamos, reformar um apartamento — pergunte sem falta a amigos que já passaram por isso: com quais armadilhas se depararam, quanto tempo e dinheiro gastaram. Se está largando o cigarro, encontre quem teve sucesso e conheça a experiência deles. Tudo isso ajudará a ser mais preciso nas previsões. Afinal, a visão externa costuma ser mais precisa que a interna.