Sobre o livro
Do que se trata este livro? De modo geral, é um relato comum — ou seja, uma história fictícia e abstrata, com empresa e personagens. No entanto, apresenta casos bastante imagináveis de interações entre gerentes de projeto. Tecnicamente, o livro é dividido em cinco partes, mas poderia ser facilmente dividido em duas seções lógicas. A primeira é o próprio relato, que ocupa cerca de 180 das 250 páginas, e, lenta mas seguramente, o autor, através de uma empresa fictícia e suas relações internas, transmite ao leitor os tais 5 vícios. As últimas 70 páginas são material teórico puro, sem relação com a empresa ou os personagens. É uma espécie de recapitulação com explicação mais clara e estruturada.
Vantagens
- O livro é fácil de ler. Há versão em audiolivro — foi essa que ouvi, e no geral é bem absorvida.
- É relativamente curto e pode ser lido rapidamente.
- Não há muitos personagens (embora no início eu tenha me confundido com quem era quem, suas personalidades e responsabilidades), mas me acostumei rápido e me orientava bem.
- Cada personagem vem com uma explicação — seu caráter e posição.
- Como mencionei acima, os 5 “vícios” são apresentados primeiro através da história e depois por uma explicação mais estruturada (ou seja, o material que o autor considera importante é repetido pelo menos duas vezes — em estilos diferentes, o que ajuda a fixar).
- Agora sobre o essencial: o livro aborda temas bastante delicados e sensíveis, a maioria dos quais pode dificultar o desenvolvimento da equipe, e muitos proprietários e gerentes nem suspeitam que tais problemas existam.
- Apresenta não apenas os problemas em si, mas também suas soluções, e especifica o papel e a posição que os líderes devem assumir para resolver e corrigir essas questões.
- Aliás, os problemas são bem visualizados — o que é, naturalmente, um grande ponto a favor.
Desvantagens
- Nem uma palavra sobre equipes distribuídas e remotas (e sabemos que equipes remotas podem alcançar resultados tão bons quanto as presenciais).
- No exemplo do livro, diz-se que reuniões (incluindo as externas) ajudam a unir a equipe, mas também afirma que ali há uma equipe de profissionais e ótimos colaboradores. Na prática — mesmo que você faça cinco vezes mais reuniões, se a equipe for formada por não profissionais que propõem soluções claramente estranhas sem entender que existem opções muito melhores e mais eficientes — essas reuniões ainda não levarão a lugar nenhum.
- O livro é teórico e baseado em exemplo abstrato. No entanto, muitos negócios e setores dependem totalmente de outros fatores. Mesmo sem levar em conta desastres naturais, podemos pelo menos citar exemplos de negócios que dependem de marketplaces, redes sociais, mensageiros ou mecanismos de busca (estes últimos — como o Google — devido à sua extrema lentidão e incapacidade de reagir rapidamente a decisões radicais e em larga escala, podem levar de um trimestre a meio ano para agir — um prazo desastrosamente longo para muitas empresas).
- Quanto aos próprios vícios: o primeiro ponto sobre desconfiança nem sempre se manifesta como medo de mostrar vulnerabilidade. Muitas vezes envolve segredos financeiros ou comerciais, intrigas sobre demissões, substituições de funcionários ou outras coisas em benefício da empresa, e assim por diante. E evitar conflitos não acontece necessariamente porque você desconhece os hobbies dos colegas. Na minha experiência, discuti várias vezes com o departamento de design para defender minhas decisões e impedir que inserissem coisas pesadas ou desnecessárias no código. Não conhecia muito sobre a infância ou hobbies deles, e só participei de um encontro externo com eles. Ainda assim, isso não impediu debates produtivos. O tema dos conflitos é bem peculiar — nunca atacamos pessoalmente nem questionamos as habilidades profissionais um do outro, mas o resíduo emocional dessas discussões permanecia por bastante tempo.
No geral, eu classificaria este livro mais como uma experiência literária positiva do que neutra ou negativa. É curto, de leitura rápida, e alguns dos vícios mencionados pelo autor são realmente fatores prejudiciais para empresas.