O título fala por si: sobre blockchain e, em particular, sobre Bitcoin. No entanto, a autora, Melanie Swan, analisa o Bitcoin não apenas como uma forma de ativo digital ou meio de pagamento, mas como uma plataforma e protocolo fundamental. Dito isso, eu não levaria essa definição muito ao pé da letra para evitar confusões.
Estágios da Indústria de Tecnologia da Informação
O que vale realmente a pena considerar é como a autora divide o blockchain em três grupos distintos. Mas antes de falarmos sobre esses grupos, vale destacar as fases da indústria de TI segundo a autora.
Nos anos 70, vivemos a era dos mainframes (computadores do tamanho de uma sala); nos anos 80, os desktops pessoais; nos anos 90, a internet; nos anos 2000, os celulares e redes sociais. Ou seja, a cada 10 anos, a computação vive uma revolução. É como uma Lei de Moore, mas para a indústria como um todo. A autora sugere que os anos 2010 podem ter sido a era da adoção do blockchain.
Três Gerações de Blockchain
Voltando aos três grupos definidos pela autora, temos:
- Blockchain 1.0 – Moeda (sistemas de pagamento digital e transferências de dinheiro — o blockchain como o conhecemos).
- Blockchain 2.0 – Contratos (finanças, economia e mercados, incluindo ações, títulos, futuros, hipotecas, ativos inteligentes e contratos inteligentes).
- Blockchain 3.0 – Aplicações (expansão para governo, saúde, ciência, educação, cultura e arte).
Blockchain 2.0 e os Contratos Inteligentes
O Blockchain 1.0 é autoexplicativo, então vamos direto ao segundo ponto.
O Blockchain 2.0 introduz mecanismos como escrow (depósito em garantia), colaterais, arbitragem de terceiros e assinaturas múltiplas — todos integrados ou facilmente implementados com blockchain. Isso expande o uso da tecnologia além do dinheiro, especialmente no campo da economia.
Um dos conceitos-chave aqui são os contratos inteligentes. Esses contratos são acordos registrados em blockchain que vão além da simples compra e venda. Podem incluir instruções complexas. Diferente dos contratos tradicionais, os contratos inteligentes não exigem confiança entre as partes — eles são programados e executados automaticamente, eliminando a necessidade de intervenção humana e o risco de fraude.
Ethereum e Aplicações Descentralizadas
Ao falar sobre contratos inteligentes, a autora menciona frequentemente o Ethereum. O livro também traz exemplos de aplicativos descentralizados como OpenBazaar (compra e venda de bens), La’Zooz (caronas compartilhadas) e redes sociais descentralizadas como Twister e Gems. Projetos como Swarm e Coinify também são citados, assim como plataformas de financiamento coletivo como a bitFlyer. Em geral, o livro está repleto de referências a diversos projetos do universo cripto.
O Futuro do Blockchain
Outra função — e responsabilidade — do blockchain no futuro pode ser atuar como um cartório digital. Ele pode confirmar a ocorrência de eventos ou propriedade de ativos (tanto físicos quanto digitais). Um exemplo curioso: em 2014, o primeiro casamento foi registrado em blockchain.
Portanto, se o blockchain for implementado em grande escala, muitas profissões — como notários e advogados — podem desaparecer ou ser bastante reduzidas.
Blockchain 3.0 — Possíveis Mudanças Sociais
Mas e se não só profissões, mas setores inteiros — como governo, saúde e ciência — forem transformados? Não eliminados, mas reestruturados ou absorvidos pela tecnologia blockchain? Isso é o que define o Blockchain 3.0.
Por exemplo, a autora propõe uma forma mais flexível de democracia via blockchain. E vai além — conectando e automatizando pesquisas médicas, prescrições, seguros e integrando tudo com pagamentos rápidos do Blockchain 1.0 (Bitcoin). Saúde, política e economia — tudo isso é abordado no livro.
Riscos da Adoção em Massa do Blockchain
No fim do livro, a autora destaca alguns riscos e desafios do uso generalizado do blockchain:
- O primeiro e mais sério problema é a segurança. Ela menciona o “ataque dos 51%” — quando alguém controla 51% do poder de mineração.
- O segundo problema é a baixa capacidade da rede (apenas 7 transações por segundo).
- O terceiro — preocupações com a privacidade dos dados pessoais.
- Também são citados o alto consumo de energia e outras limitações técnicas.
Minha Opinião sobre o Livro
Contras:
- O livro é bastante teórico.
- Tem bastante conteúdo que parece encheção de linguiça.
- É difícil de digerir. Alguns conceitos são difíceis de entender apenas com texto. O livro se beneficiaria de ter QR codes ou links para vídeos e animações. Blockchain é complexo, e conteúdo visual ajudaria muito. O YouTube provavelmente explica melhor.
- Alguns trechos soam como ficção científica. Sim, a humanidade pode chegar lá — mas não tão cedo.
Prós:
- Como todo livro técnico sério, traz muitos links úteis para serviços e plataformas. Isso mostra que a autora realmente entende do assunto.
- Alguns links foram tão bons que eu salvei para usar depois — conteúdo realmente útil.